10 documentários pra te deixar pensando (muito)

Os documentários que eu indico a seguir se destacam por mostrar realidades muito diferentes do que a maioria de nós vive. Conhecer estas realidades é essencial pra nos ensinar sobre o ser humano, a sociedade e o mundo em que vivemos. São filmes que mostram como o ser humano é louco, em todos os sentidos.

 De qualquer maneira, vamos à lista.

 

Jiro Dreams of Sushi 

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Jiro Ono é um homem japonês de 85 anos com uma paixão: fazer sushis. Desde criança, Jiro é obcecado em preparar o sushi perfeito, chegando a literalmente sonhar com isso, como indica o nome do filme.

O documentário acompanha sua vida diária no Sukiyabashi Jiro, seu discreto restaurante, localizado numa estação de metrô em Tóquio. Quem o vê de fora nem imagina que se trata de um sushibar com a nota perfeita de três estrelas Michelin, um status que milhares de restaurantes pomposos tentam alcançar há anos.

Durante o documentário, você irá testemunhar a dedicação de Jiro à sua arte e seu jeito metódico de lidar com a vida, além do drama entre ele e seus dois filhos: Takashi, o mais novo, deixou o Sukiyabashi para abrir uma filial em Roppongi; já Yoshikazu, o mais velho, encarregado de suceder seu pai, é obrigado a ficar no restaurante até a morte de seu pai.

Dear Zachary

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Dear Zachary é um filme que sem dúvidas vai despertar as emoções mais fortes dentro de você e te deixar triste, nervoso, indignado ou até mesmo estragar o seu dia. Ou seja, se estiver em um momento sensível, recomendo deixar pra assistir em outra hora. Mas se eu tivesse de escolher apenas um documentário pra esta lista, seria este.

O filme é produzido por Kurt Kuenne após o assassinato de um dos seus melhores amigos, Andrew Bagby. Kuenne e Bagby eram praticamente irmãos durante a infância e adolescência, até que Bagby decide fazer medicina no Canadá e os dois se distanciam. Lá, ele conhece uma moça chamada Shirley e eles começam um relacionamento.

Após muitos problemas, Bagby decide terminar com Shirley, que não aceita e o mata brutalmente. Logo após ser presa, ela revela estar grávida de um filho de sua vítima, que irá chamar de Zachary. Após tomar conhecimento, Kuenne decide fazer um filme sobre seu falecido amigo, para mostrar a Zachary quem seu pai era. Porém a trama começa a piorar durante as filmagens e Kuenne tem que correr atrás da verdade.

O Ato de Matar

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Este filme ganhou um merecido BAFTA de Melhor Documentário por mostrar uma verdade nua e crua daquilo que sobrou após o Massacre de 1965-66 na Indonésia, uma matança brutal motivada pelo anti-comunismo que resultou em 500 mil mortos e antecipou um golpe militar que duraria 30 anos.

O Ato de Matar acompanha as histórias que se seguiram após 1966, principalmente as histórias de Anwar Congo e Adi Zulkadry, os líderes de um esquadrão da morte que dominava o norte de Sumatra, responsáveis pela morte de milhares de pessoas. Anwar afirma ter assassinado mais de mil pessoas com as próprias mãos.

Os dois contam suas experiências sobre os assassinatos e depois são convidados pelo diretor a atuarem em reconstituições dramáticas do que aconteceu no massacre. Anwar e Adi, ao se depararem com seu passado, começam a refletir sobre seus atos.

 

The Century of the Self

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Esse documentário está em um formato diferente do resto da lista. The Century of the Self é uma série feita pela BBC, dividida em 4 episódios, com o objetivo de explicar as bases do comportamento individualista que se tornou vigente após o século XX, e como conceitos da psicologia e comunicação modernas são aplicados na realidade.

A série explica como Freud fundou a psicanálise, um conceito novo da psicologia que começou a mudar nossa percepção sobre como a mente humana trabalha, e como seu sobrinho americano Edward Bernays utilizou as descobertas do tio para se tornar um pioneiro das relações públicas e convencer as massas a consumir os produtos e apoiar os candidatos dos seus clientes.

The Century of the Self é essencial pra entender tudo aquilo que achamos estranho sobre a sociedade do consumismo e compreender como, mesmo com a evolução da democracia, poder e dinheiro não perderam o seu reinado.

Loki – Arnaldo Baptista

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Loki conta a história sobre a vida e obra de Arnaldo Baptista, fundador da banda Os Mutantes e expoente da famosa Tropicália que dominou o Brasil no final dos anos 60. Tanto na banda quanto em sua carreira solo, Arnaldo Baptista foi responsável pelos álbuns mais inovadores da música brasileira.

O filme conta com depoimentos de diversos amigos e admiradores do cantor, como Tom Zé, Gilberto Gil, Sean Lennon e até Kurt Cobain, além do próprio cantor. Loki é um dos melhores documentários sobre música já feitos(e um do melhores brasileiros já feitos) por mostrar uma cabeça que realmente pensa de uma maneira completamente diferente, e que nunca se restringiu a ser como os outros.

Cabra Marcado pra Morrer

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Mais um brasileiro obrigatório para a lista, este documentário é uma obra prima feita Eduardo Coutinho, que retrata a vida de João Pedro Teixeira, um líder camponês paraibano que realmente era um cabra marcado pra morrer, filmado e contado de uma maneira que só Coutinho faria.

O documentário na verdade começou a ser produzido em 1964, ou seja, no pior timing possível pra se produzir qualquer tipo de filme. Sua equipe foi presa por alegação de “comunismo” e a produção do filme foi atrasada por meros 17 anos, até que eles tiveram a coragem de se reunir novamente e reconstruir a história de João Pedro Teixeira e situação de sua viúva Elizabeth no engenho da Galileia.

Searching for Sugar Man

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Este filme ganhou o Oscar de Melhor Documentário em 2013 e conta uma das histórias mais surreais já testemunhadas pelo homem: a busca de dois homens sul-africanos pelo seu ídolo, Sixto Rodrigues, com o fim de saber se ele havia morrido ou não.

Sixto não tem a carreira de um músico de sucesso comum. Ele é um músico hispano-americano que não fez sucesso algum no seu país, mas de alguma maneira sua música chegou na África do Sul e se tornou um sucesso majestoso, ganhando álbuns de platina e se tornando um símbolo anti-apartheid.

Mesmo assim, pouco se conhecia sobre Sixto, devido à intensa censura do apartheid, e se espalhou o rumor de que havia se suicidado. Stephen Segerman e Craig Strydom, dois fãs apaixonados do cantor, seguiram em uma busca de saber a verdade.

Tiros em Columbine

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Não dava pra falar em documentários essenciais sem falar em Michael Moore, um dos melhores no ramo e responsável pela ascensão do gênero no século 21. Em Tiros em Columbine, ele examina o massacre na Columbine High School em 1999, cometido pelos alunos Eric Harris e Dylan Kiebold, um dos casos mais infames de atentados a escolas.

Porém Moore vai além disso e busca explicar as causas deste e de outros atentados que ocorrem tão frequentemente no país, como a cultura de violência, a facilidade para se comprar armas e o ambiente escolar americano.

A Tênue Linha da Morte

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A Tênue Linha da Morte é a obra-prima de outro gênio dos documentários, Errol Morris, responsável por vários sucessos do gênero e também por inovações na maneira de se contar histórias. Este filme retrata a injustiça sofrida por Randall Dale Adams, um homem preso por um assassinato que não cometeu.

Adams tinha 28 anos e acabara de conseguir um emprego em Dallas. Na volta pra casa do seu local de trabalho, a gasolina do carro acabou, mas para sua surpresa um adolescente chamado David Ray Harris ofereceu uma carona. Os dois passaram o dia juntos, fumaram maconha, beberam e foram pro cinema.

O que parecia uma tarde agradável virou um inferno quando dois policiais pararam o carro de Harris e o jovem decidiu atirar nos policiais, já que aquele carro era roubado. Quando interrogado, Harris acusou Adams, que foi condenado a execução.

 Shoah

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“Shoah” é o tradução hebraica e francesa da palavra “holocausto”, tema principal deste filme dirigido pelo francês Claude Lanzmann, com duração de humildes 9 horas e 23 minutos, fazendo desde o documentário mais longo já feito. O filme demorou 11 anos para ser finalizado e sua equipe reuniu cerca de 350 horas de filmagem.

Porém se tratam de 9 horas e 23 minutos repletas de histórias sobre o holocausto, por meio de entrevistas com vítimas, testemunhas e oficiais alemães, e visitas a campos de concentração utilizados pelos nazistas. Controversamente, muitos dos oficiais alemães entrevistados não sabia que sua conversa estava sendo filmada por uma câmera escondida.

Todo este esforço de vários anos resulta em um dos maiores, em vários sentidos, obras já feitas pelo homem, e nos leva a uma reflexão muito necessária sobre um dos piores momentos da humanidade.

Vitor Andrade Villanueva

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